Domingo, 3 de Abril de 2011

Basta! Mais uma mulher encontrada morta em estado de decomposição no nosso país.

Mais uma notícia que pode passar despercebida, entre tantas outras.

Alheio à indiferença do quotidiano assiste-se à purga da desumanização e dos valores humanos. Na actualidade existem sensivelmente 12 000 idosos a viver na solidão.

Não sei quantos terão acesso a ajudas técnicas, de centros, amigos, vizinhos ou familiares, mas o absurdo da questão é que são deixados ao abandono, sem leis que os proteja.

A família tem o dever de proteger os seus idosos, como uma criança, os seus idosos são pessoas como elas, serão o espelho das suas almas no futuro.

Se tem família, a lei deve se insurgir-se pelo abandono dos idosos. Se não tem família o Estado tem que ter consciência e do seu acto de indiferença e permissão.

O Estado é todos nós. Os homens estão no estado. Estado novo ou velho, os homens vão ficar velhos.

Quando chegar a vossa vez de ficar velho (que não falta muito)

Vão querer ser encontrados em estado de decomposição num lugar qualquer das vossas vidas?

Parece uma “eutanásia social assistida”

Em outras civilizações denominadas “atrasadas” pelo senso comum, o idoso faz parte integrante do seio e é respeitado pelo seu valor.

Sei que é doloroso e cansativo para nós prestar os cuidados de saúde a um idoso, devido à sua dependência integral do quotidiano.

Na higiene, na toma dos medicamentos (nem conseguem abrir as embalagens) na dependência económica, na orientação e ritmo da vida, etc. Porque nós que ainda estamos no activo, não temos onde os deixar, ou dinheiro para pagar lares ou ajudas técnicas.

A minha experiência dita, que os idosos não serão velhos, na acepção da palavra, se o meio e a experiência do quotidiano lhe proporcionar uma forma evolutiva de novas experiências e ideias, ora por passando a usar novas roupas, cortes de cabelo, pela experiência cultural, etc.

BASTA, viver e morrer com dignidade é preciso.

Amanhã, é já a seguir, seremos todos velhos

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